quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Muita pretensão ou boa estratégia de posicionamento?



Ando sumida por essas bandas de cá e a culpa (como na maioria das vezes) é do tempo.
Mas a verdade é que um detalhe visual me chamou a atenção e não poderia deixar “passar batido”.
Nessa época do ano, por conta do carnaval e das inúmeras festas de verão, é comum encontrar as imagens das estrelas do axé music, estampadas nas infinitas placas de outdoor espalhadas pela cidade. Mas uma, em especial, merece comentários.
Às vésperas do carnaval, precisamente no dia 10 de fevereiro, Salvador recebe a cantora internacional e fenômeno mundial Beyoncé.
As imprensas nacional e internacional têm divulgado que a rainha pop estará realizando uma turnê mundial, inclusive com passagem pelo Brasil, incluindo as cidades de Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Na capital da alegria, Beyoncé divide o palco com outra diva, Ivete Sangalo.
No outdoor de divulgação do show, aparece o nome de Beyoncé (em tamanho maior), mas a imagem, em destaque, vai para a figura da musa brasileira.
Ouvi alguns comentários de que a estrela pop seria convidada de Ivete em Salvador, que iria subir no trio e tudo mais, deixando revelar que o grande prestígio dessa “visita ilustre” é da cantora baiana.
A imagem tem um peso enorme na comunicação, principalmente em se tratando de mídia exterior. Por isso, a idéia de que o show é de Ivete e que Beyoncé seria convidada é reforçada no outdoor com o destaque da foto de Veveta, afinal de contas a maioria dos leitores enxergarão apenas a imagem, sem muito tempo de ler o que está disposto na placa.
Não condeno a comunicação local, pelo contrário, trabalhou bem o posicionamento da musa baiana, situando-a como “diva absoluta”. É o que mostra que a indústria do axé music está mais madura e é muito poderosa.

domingo, 25 de outubro de 2009

Muito além das aparências.


Nãocomo negar que o corpo (nele inclui-se os cabelos) é uma forma de linguagem. A maneira como nos vestimos ou nos penteamos revela, muitas vezes, um traço da nossa cultura e da nossa própria personalidade. É, também, através da estética que notamos a valorização do negro diante de suas próprias características físicas. Mas analisar os aspectos da conscientização de um povo, apenas avaliando os padrões estéticos é uma visão, no mínimo, superficial.


O
discurso de que para ser negro é preciso ter o cabelo X ou Y caducou. O negro consciente atual ultrapassou essa questão, afinal não podemos mais ser julgados pela nossa aparência.


Certamente muitos negros ainda não estão conscientes de seu papel social, mas nãopara padronizar todas as pessoas, a fim de mostrar que a politização, de fato, existe. Têm pessoas com cabelos “de negro” e que desconhecem alguns fatores simples a respeito do candomblé, das lutas e conquistas dos escravos e da cultura negra. Se o cabelo do negro tem que ser sempre de uma maneira, suprime-se a condição de liberdade. Com o passar do tempo o negro não poderá usar calça jeans e camiseta branca para não se assemelhar a forma de vestir de um branco ou terá que seguir apenas a religião do Candomblé, por exemplo.


Ter a própria corrente de pensamento, sentir-se negro, mas antes de tudo, sentir-se humano. Reverter a condição de escravidão é o grande desafio para a coletividade negra e isso não será conseguido apenas estilizando os cabelos, mas quando o negro conseguir a sua inserção justa na sociedade através da educação.


Pessoas de todas as cores continuam pregando o discurso que prevalece a cor da pele e o tipo de cabelo para identificar se um indivíduo é negro ou não. A questão da negritude é a de sentir-se, identificar-se e assumir-se como negro. Não é a cor da pele, nem o penteado que define se alguém é ou não negro, ou se alguém é menos ou mais negro que outro. É uma questão que envolve coragem e opinião, envolve consciência, reflexão, cultura, intelectualidade, busca aos antepassados, atitude.


Sou
mulher negra, consciente do meu papel social e, antes de tudo, sou livre para decidir sobre o meu corpo. Não sou a imagem diante de vocês, sou um composto de tudo que acredito, isso envolve a minha consciência, a minha capacidade de pensar, a minha essência humana, que infelizmente não pode ser vista, mas pode ser percebida através das minhas atitudes.


Exaltar as nossas características físicas é basilar, mas é preciso que nós negros tenhamos uma consciência madura em relação à educação. É preciso ver mais negros na Política, na Medicina, na Comunicação, na Educação e em várias esferas sociais, que não sejam as mais costumeiras: as cozinhas, os presídios e as sinaleiras. E é a partir dessa mudança que o negro começa a se afastar do papel de vítima social, admitindo sua real consciência, assumindo uma postura muito mais ativa e participativa no processo de transformação da própria realidade e, consequentemente, da história.


E essa
metamorfose não pode ser superficial, não pode ficar no plano das aparências. Ela precisa ser interiorizada, precisa fazer parte da nossa consciência reflexiva, da nossa essência. De nada adiantará afirmar a identidade apenas no aspecto visual, em cortes e penteados de cabelos, e continuar a carregar o estigma de “coitadinho” da história, escravizado e mutilado intelectualmente, sem vez e voz
.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Dever cumprido.

Ontem fiz minha exposição na XII SEMOC e, sem muita modéstia, me saí muito bem. O encontro foi deveras gratificante e provocativo. Após o término, senti a sensação de dever cumprido e muito bem.
Trabalhar em prol da pesquisa, para mim é fascinante, é uma pena que não possa me dedicar mais. Expor os trabalhos para outras pessoas, ultrapassar as fronteiras da sala de aula, mostrar o que está sendo produzido, perceber pontos de vista totalmente distintos dos nossos, promover diálogos maduros e questionadores para que se consiga criar novos conceitos e novas visões de mundo são fundamentais para que o estudante universitário possa perceber o verdadeiro sentido de Universidade.

Quero agradecer especialmente as presenças de Taiane Lima (amiga de todos os momentos, principalmente os acadêmicos) e Professor Hugo Belens (chefe, colega de trabalho e amigo da minha vida inteira), vocês foram 1000.

Aproveito, ainda, para agradecer também a Professora Regina Gomes, pela confiança, pelo convite e incentivo para expor o artigo na SEMOC. Quando crescer quero ser que nem ela: uma orientadora leve, próxima, sensata e bastante eficiente na forma de transmitir os conhecimentos. (rsrs)

Até a próxima SEMOC.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Portfólio (III)

Mais duas marcas para o Portfólio.
Criações desenvolvidas para servir como logomarca da disciplina do sétimo semestre, Produção Publicitária em TV (PPTV), do curso de Comunicação Social com Habilitação em Publicidade e Propaganda, da Universidade Católica do Salvador – UCSal, solicitada pelo professor Eduardo Joffily Ayrosa.



terça-feira, 6 de outubro de 2009

XII Semana de Mobilização Científica - SEMOC

Na semana de 19 a 23 de outubro acontece em Salvador a XII SEMOC – Semana de Mobilização Científica, promovida pela Universidade Católica do Salvador - UCSal, sob o tema “Segurança: A paz é fruto da justiça”.
Neste evento, estarei participando da Sessão de Comunicação “Discurso em Mídia” que integra a SEMOC, no dia 21/10/2009, das 08h30 às 10h30, no campus da Lapa, apresentando um trabalho científico de minha autoria, com título “Os artifícios utilizados no discurso das editorias Saúde e Nutrição das revistas Boa Forma e Corpo a Corpo”, orientado pela Prof.ª Dra., Regina Lúcia Gomes S. e Silva.
A SEMOC é aberta a toda comunidade, mas, para participar, é necessário fazer a inscrição através do site http://www.ucsal.br/.
Conto com a presença e participação de todos.

O quê: Sessão de Comunicação - Discurso em Mídia
Quando: 21/10/2009 (quarta-feira), das 08h30 às 10h30
Onde: UCSal, Campus Lapa (Convento da Lapa – Nazaré)

Maiores Informações: http://www.ucsal.br/, correio eletrônico semoc@ucsal.br ou pelos telefones 3334-2596 ou 3330-8407 / 8408.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Ética é sempre bom. Na TV, na profissão e na vida.

O assunto da semana ficou por conta das danças da professora Jaqueline Carvalho. A primeira dança aconteceu ao som da banda O Troco, o que rendeu uma postagem no Youtube, acessada por mais de cem mil pessoas, onde a pró protagoniza junto com mais quatro mulheres uma coreografia erótica de deixar qualquer “rala a tcheca no chão” no bolso; já a outra dança foi a consequência da postagem no Youtube, o que resultou na demissão da professora primária, que lecionava Matémática a crianças de cinco anos de idade em uma escola particular de Salvador. O tema ganhou espaço na imprensa local e nacional.

Ontem (dia 28.08), o cantor envolvido na polêmica estava num programa de TV, falando sobre o ocorrido. Apesar de ser um assunto sério, afinal envolve várias questões, estereótipo negativo da mulher, ética profissional, inclusive o gosto das crianças por essas baladinhas
modernas, não consegui entender a postura do cantor e do apresentador.
O apresentador gritava: “Gente, professora agora não pode dançar pagode, não?”. E, ao mesmo tempo, exibia (em close) a imagem da bunda da professorinha no ar.


O cantor superou o apresentador. “A música Todo Enfiado é o grande momento do show, as mulheres imploram para que eu cante. As pessoas vão no pagode para se divertir, vão para esquecer os poblemas. Ela é uma mulher massa, é de família, tem uma filha de sete anos e tinha uma vida estável. Não é justo o que estão fazendo com ela”, defendeu-a. Ele falou de sua composição (uma música pobre, com palavras chulas e duas frases apenas), explicou o sentido do termo “periguete” e transformou a professora em vítima social (talvez até seja mesmo).
Cada um sabe o que faz (se a menina quer rebolar, que rebole), mas, algumas profissões exigem de nós comportamentos éticos ou, no mínimo, cuidadosos tanto em nosso trabalho quanto nos dias de folga. Tem de haver um equilíbrio entre o nosso “eu” profissional e o nosso “eu” pessoal.
Jornalistas, publicitários, comunicólogos, artistas, políticos e professores são exemplos de profissionais que formam opinião pública. Comportamentos que firam os valores da família e da sociedade não podem fazer parte da rotina de um profissional que produz informação ou que tem o seu trabalho visto por uma maioria.
Os professores têm um papel ainda mais importante. Eles não são formadores de opinião, apenas. São ajudantes na construção da formação humana do indivíduo.
Se a pró dançarina está certa ou errada, não sei. Porém, um adulto, com o mínimo de conhecimento, deve saber que vivemos na era da tecnologia e da informação, onde milhares de pessoas se munem de apetrechos tecnológicos, registrando tudo em todos os lugares. Nesse “Big Brother” real, a responsabilidade de cuidar da nossa imagem é inteiramente nossa e ninguém pode fazer isso por nós.
Então, se nos exibimos, se postamos textos e imagens relacionados a nós, se usamos o espaço público e virtual como se fosse o nosso espaço íntimo é porque queremos ser lidos e vistos. Ao menos devemos ter consciência do nosso comportamento, respondendo e nos responsabilizando por nossa exposição pública, quando necessário.
O cantor tem grande responsabilidade nessa celeuma também, pois está se promovendo, enquanto a professora tem sua imagem e vida desgastadas. Afinal, um homem que se propõe a expor mulheres ao ridículo, incitando comportamentos primitivos, não pode sair de bom moço na estória.
A idéia de que ele é homem e tudo pode (“mulher que se dê o valor”) é cultural e difícil de mudar, mas a iniciativa dessa violência surge, primeiramente, deste homem, no momento da composição. Não foi ele que criou esse preconceito, mas é ele quem ajuda a disseminá-lo.

Entretanto, quando provocado, responde que sua música é uma grande brincadeira e que canta para levar alegria aos fãs. Na verdade, ele não se importa com o conteúdo das suas músicas, pensa apenas, em ancorar na vulgarização feminina, sua ascensão e fama.
Pagode, arrocha e vários gêneros musicais que têm força nas grandes massas não me agradam, mas sei também que, muitas bandas de pagode não têm em seu conceito a banalização sexual, como é o caso da Harmonia do Samba, por exemplo.
Estudando Comunicação e, principalmente, Publicidade posso ver que algumas pessoas pensam que vale tudo para vender um produto, um conceito ou uma idéia. Não importa se nessa venda terão que potencializar preconceitos ou ferir os valores sociais e isso, no mínimo, é perigoso e irresponsável.
Não sou hipócrita, sei que muitos professores, médicos, jornalistas, engenheiros, pedreiros, padeiros, políticos e tantos outros profissionais se dividem em trabalhadores sérios e seres comuns, que têm desejos, fantasias, esquisitices, etc. Atualmente, o que mais chama a atenção é a necessidade que as pessoas têm em se expor, principalmente para exaltar suas atitudes sexuais.
Ontem, ao discutir com alguns colegas cheguei a seguinte conclusão: a verdade é que a professora e o cantor estão no país certo. Uma nação que não valoriza quem investe tempo e dinheiro nos estudos, um país de artista que não faz arte, de mulheres famosas por suas lindas nádegas, políticos corruptos que são respeitados e chamados de Vossa Excelência, de gente que acha o máximo uma "celebridade" dizer em rede nacional que nunca leu um livro...
O final dessa novela já se sabe. O normal é que a pró se transforme numa dançarina ou escreva um livro do tipo “Dancei! Literalmente” ou, ao menos, passe uns dias dando entrevista aos programas que sobrevivem da carniça humana.
Quanto à banda, essa vai aparecer muito mais nos Meios de Comunicação, vai ficar mais conhecida, os shows vão bombar, o cachê vai aumentar...
E continuaremos vendo a baixaria reinar, felizes ou infelizes diante do sofá.

sábado, 11 de julho de 2009

Alice e o tempo, na varanda...


Era noite de verão, fresca e cheia de aromas, mas, de repente, Alice começou a sentir as gotas de chuva caírem no seu rosto. Imediatamente ela começou a pensar, com seus olhos brilhantes e a cabeça confusa:

... tempo... incerto...


Como um ponteiro de relógio

Gritando e bipando velozmente

...pingos de chuva ... cheiro de jasmim

Sinto o tempo


A verdade é que Alice estava sendo transportada para um outro lugar. Os cheiros, a frieza dos pingos de chuva, o sereno... Tudo isso a fazia chegar perto de onde jamais deveria ter saído.

Pensamentos:


“Assim como numa viagem longa,

Ora fantástica, ora tediosa.

Vejo um mundo aos meus pés

E nele, mil enganos“.


Se sol, biquíni; se chuva, pipoca.


Ah! Como queria saber o que se esconde

Por detrás daquela nuvem

Será um arco-íris iluminado? Flores varrendo o cerrado?

Ou será a tempestade fria, sozinha, molhando o gramado?


...


Só amor...